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BÉLGICA

Bruxelas resume vários mundos

Divulgação
Grand Place, no coração
da cidade, chegou a ser
destruída
Ao desembarcar na capital da Bélgica, uma coisa chama a atenção: todas as placas de sinalização são bilíngües. Os nomes das ruas vêm grafados em francês e em flamengo. Este aspecto aparentemente prosaico da organização de uma das mais importantes cidades européias - além de ser a capital do país, Bruxelas é o centro administrativo e político da União Européia - revela um importante traço da cultura e da história local: o Reino da Bélgica é um verdadeiro caldeirão de influências culturais e sociais dos diversos povos que vivem na Europa Ocidental.

Por isso, quem visitar a Bélgica deve estar preparado para ir além das sessões de degustação de chocolate e dos mais de 400 tipos de cerveja. O fundamental é manter olhos e ouvidos bem abertos para apreciar a arquitetura, a arte e as histórias que moldaram a identidade de um dos países mais ricos e politicamente conturbados da Europa. Ao mesmo tempo em que passeia pelas belas ruas e praças de Gand, Bruges e Antuérpia - além de Bruxelas, é claro -, o turista é testemunha de um passado de riqueza, gerada pela tradição comercial que marcou o desenvolvimento daquela parte do Velho Continente, e de uma história política de disputas entre grandes potências.

Praça - Ao longo dos séculos, a região onde fica a Bélgica foi controlada e disputada por franceses, alemães, austríacos e espanhóis até que a antiga Flandres se tornasse um país independente, em 1831. Antes disso, foi palco da Batalha de Waterloo, travada a poucos quilômetros de Bruxelas em 1815, e que selou a derrocada de Napoleão Bonaparte. Foi também cenário de ataques das tropas francesas e inglesas, durante a Guerra dos Cem Anos. A Grand Place, no centro de Bruxelas, chegou a ser bombardeada e quase totalmente destruída pelas tropas de Luís 14.

Considerada um do mais belos conjuntos de edificações da Europa, a Grand Place é uma síntese do que a Bélgica propicia ao visitante em termos de história e arquitetura. Ela é delimitada por um conjunto de prédios, alguns originais do século 15, e apresenta pelo menos quatro estilos arquitetônicos: gótico, barroco, neogótico e clássico. Foi, e ainda é, o principal espaço de convivência da cidade, atraindo moradores, turistas e executivos. É o ponto de partida obrigatório para quem quer descobrir Bruxelas.

No passado, a praça foi o centro comercial da cidade, que congregava mercadores e representantes das guildas, as antigas corporações profissionais que desempenharam um papel fundamental no desenvolvimento econômico da região de Flandres durante as idades Média e Moderna. As casas das guildas - algumas preservadas, outras reconstruídas ou restauradas ao longo do tempo - podem ser facilmente identificadas, porque no alto exibem uma imagem relacionada com a atividade profissional. A imagem de uma baleia, por exemplo, identifica o prédio da antiga guilda dos pescadores. A opulência evidenciada nos adornos, alguns de ouro, refletem o poder econômico dessas corporações na época em que eram ativas.

Hoje, a grande maioria das antigas casas das guildas foi transformada em cafés e restaurantes. Vale a pena escolher o que parecer mais simpático, sentar em uma mesa e passar algum tempo simplesmente observando o movimento e os detalhes da arquitetura da praça - de preferência, tomando uma gueuze (mistura de cervejas novas e envelhecidas) ou uma lambic (cerveja fermentada naturalmente).

É na Grand Place que se localizam ainda diversos edifícios ligados à história da cidade e do país. A prefeitura de Bruxelas é uma das mais impressionantes construções do local. Vale a pena subir ao primeiro andar, de cuja sacada tem-se uma das melhores visões da praça. O edifício é um dos mais antigos e bem preservados do local. Chama a atenção porque, além de ser monumental, possui uma torre que pode ser vista de vários pontos de Bruxelas. Como no topo há uma estátua de ouro de São Miguel, os desavisados podem confundi-lo com uma igreja. Na praça, o visitante pode se familiarizar com tradições da cultura belga. Além do Museu da Cidade, construção neogótica onde é apresentada a história de Bruxelas, funciona no local a Casa da Cervejaria.

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O Estado de S. Paulo

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